Hipertensão Arterial e Diabetes: dupla perigosa para o coração
- Roberto Oliveira
- 5 de jun. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 16 de jun. de 2025

A hipertensão arterial e o diabetes mellitus são duas condições crônicas extremamente prevalentes na população mundial, especialmente entre os idosos. No Brasil, essas doenças afetam milhões de pessoas e representam um grave problema de saúde pública. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, há mais de 13 milhões de pacientes diabéticos no país, o que representa 6,9% da população nacional. Já a hipertensão arterial, segundo dados recentes, atinge cerca de 27,9% dos brasileiros.
Quando essas duas condições coexistem no mesmo indivíduo, formam uma combinação particularmente perigosa, potencializando os riscos de complicações cardiovasculares. Essa associação não é apenas uma soma de fatores de risco, mas uma multiplicação dos perigos para a saúde do coração e dos vasos sanguíneos.
Hipertensão Arterial
A hipertensão arterial, popularmente conhecida como "pressão alta", é uma condição caracterizada pela elevação sustentada dos níveis pressóricos nas artérias. Segundo as diretrizes mais recentes, considera-se hipertensão quando os valores de pressão arterial são iguais ou superiores a 130/80 mmHg (ou "13 por 8").
A hipertensão é uma doença silenciosa, geralmente assintomática, o que a torna ainda mais perigosa. Muitas pessoas convivem com a pressão alta por anos sem saber, enquanto ela danifica progressivamente o coração, os rins, o cérebro e os vasos sanguíneos.
Diabetes Mellitus
O diabetes mellitus é uma síndrome metabólica caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia) de forma permanente. Essa condição ocorre devido à falta de insulina no organismo ou à incapacidade desse hormônio de exercer adequadamente seus efeitos.
Existem dois tipos principais de diabetes:
• Diabetes tipo 1: Mais comum entre crianças e jovens adultos, resulta da destruição autoimune das células beta do pâncreas.
• Diabetes tipo 2: Mais prevalente em adultos e idosos, ocorre devido à resistência à insulina e/ou deficiência relativa na secreção desse hormônio. Corresponde a aproximadamente 90% dos casos de diabetes.
A Perigosa Associação entre Hipertensão e Diabetes

A associação entre hipertensão arterial e diabetes não é uma simples coincidência. Estudos mostram que cerca de 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 desenvolvem hipertensão em algum momento de suas vidas. Essa relação é tão estreita que muitos especialistas consideram que ambas as condições compartilham mecanismos fisiopatológicos comuns.
A hipertensão e o diabetes estão interligados por diversos mecanismos:
Resistência à insulina: A resistência à insulina, característica do diabetes tipo 2, está associada à ativação do sistema nervoso simpático e à retenção de sódio pelos rins, contribuindo para o aumento da pressão arterial.
Disfunção endotelial: Tanto o diabetes quanto a hipertensão causam danos ao endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), comprometendo sua função.
Inflamação crônica: Ambas as condições estão associadas a um estado inflamatório crônico de baixo grau, que contribui para a aterosclerose.
Alterações renais: O diabetes e a hipertensão afetam negativamente a função renal, criando um ciclo vicioso.
Quando presentes simultaneamente, a hipertensão e o diabetes multiplicam o risco de complicações cardiovasculares. De acordo com dados da Federação Internacional de Diabetes, até 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem por causas relacionadas a problemas cardíacos.
A presença da hipertensão arterial e diabetes associados potencializa os riscos para:
• Infarto agudo do miocárdio
• Acidente vascular cerebral (AVC)
• Insuficiência cardíaca
• Doença arterial periférica
• Retinopatia diabética
• Nefropatia diabética
Em homens e mulheres diabéticos, a incidência de infarto agudo do miocárdio e AVC é semelhante, mas representa o dobro quando comparada a pessoas sem diabetes. Em mulheres, o quadro tende a ser mais grave, com maior mortalidade.
Fatores de Risco Comuns

A hipertensão arterial e o diabetes compartilham diversos fatores de risco, o que explica, em parte, sua frequente coexistência.
Fatores de risco modificáveis
Obesidade: O excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, está fortemente associado tanto à hipertensão quanto ao diabetes tipo 2.
Sedentarismo: A falta de atividade física regular contribui para o ganho de peso, resistência à insulina e aumento da pressão arterial.
Alimentação inadequada: Dietas ricas em sódio, gorduras saturadas, carboidratos refinados e pobres em frutas, vegetais e fibras aumentam o risco de ambas as condições.
Tabagismo: O fumo danifica os vasos sanguíneos, acelera a aterosclerose e aumenta a pressão arterial.
Consumo excessivo de álcool: O álcool em excesso eleva a pressão arterial e fornece calorias vazias.
Fatores de risco não modificáveis
1.Idade: O envelhecimento está associado ao aumento da prevalência tanto de hipertensão quanto de diabetes tipo 2.
2.Histórico familiar: A predisposição genética desempenha um papel importante em ambas as condições.
3.Etnia: Algumas populações têm maior predisposição genética para hipertensão ou diabetes.
Tratamento e Controle
O manejo adequado da hipertensão arterial e do diabetes requer uma abordagem abrangente, que combine medidas farmacológicas e não farmacológicas.
Para pacientes com hipertensão e diabetes, o tratamento medicamentoso geralmente é necessário e deve ser individualizado.
Tratamento da hipertensão em diabéticos:
• As diretrizes recomendam metas pressóricas mais rigorosas para pacientes diabéticos, geralmente abaixo de 130/80 mmHg.
• Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA) são considerados medicamentos de primeira linha.
Tratamento do diabetes em hipertensos:
• O controle glicêmico deve ser rigoroso, mas individualizado, considerando o risco de hipoglicemia, especialmente em idosos.
• Medicamentos como metformina, inibidores de SGLT2 e agonistas do receptor de GLP-1 têm demonstrado benefícios cardiovasculares adicionais.
Importância do exercício físico
O exercício físico regular é um componente fundamental no tratamento da hipertensão e do diabetes, segundo as recomendações do American College of Sports Medicine (ACSM).
Os benefícios do exercício físico incluem:
Redução da pressão arterial: Adultos com hipertensão podem experimentar reduções de 5 a 8 mmHg na pressão sistólica.
Melhora da sensibilidade à insulina: O exercício aumenta a captação de glicose pelos músculos.
Controle do peso corporal: A atividade física regular facilita a perda de peso e a manutenção do peso saudável.
Redução do risco cardiovascular global: O exercício melhora o perfil lipídico e a função endotelial.
Alimentação adequada
Uma alimentação saudável é essencial para o controle da hipertensão e do diabetes. As principais recomendações incluem:
Dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura, e pobre em gorduras saturadas e sódio.
Controle do consumo de sódio: limitar a ingestão de sal a menos de 5g por dia.
Controle da ingestão de carboidratos: preferir carboidratos complexos e com baixo índice glicêmico.
Aumento do consumo de fibras: As fibras solúveis ajudam a controlar os níveis de glicose e colesterol no sangue.
A hipertensão arterial e o diabetes mellitus, quando presentes simultaneamente, constituem uma combinação extremamente perigosa para a saúde cardiovascular, especialmente em idosos. Essa associação não apenas soma, mas multiplica os riscos de complicações graves.
Por fim, é importante ressaltar que, apesar da gravidade da associação entre hipertensão e diabetes, o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e as mudanças no estilo de vida podem alterar significativamente o prognóstico e garantir uma melhor qualidade de vida aos pacientes.
Fontes:
Sociedade Brasileira de Cardiologia - 2019
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes - 2019/20
American College of Sports Medicine
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - 2020
_edited.png)



Comentários